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O papel da arquitetura e urbanismo na cidade do amanhã

Thales A. Filipini Righi, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniAnchieta, comenta as mudanças pelas quais passam as cidades, acompanhando o progresso humano.

Vivemos em uma sociedade que anseia por expansão, culturalmente somos influenciados a buscar constantemente melhores condições econômicas, sociais e culturais, estamos incorporados na máxima de uma sociedade capitalista.

Tal cenário de buscar sempre algo a mais reflete drasticamente na forma como moramos e como vivemos em nossas cidades.
Cada vez mais buscamos mais comodidade de locomoção, assim compramos mais carros, queremos morar em locais mais privativos e com a sensação de segurança, então procuramos os condomínios; ao mesmo tempo, queremos ter as facilidades de comércio e de serviços próximos ao espaço que utilizamos, gerando a criação de shoppings, centros comerciais e de negócios.
As cidades sentem tais anseios e são transformadas diariamente; o querer desenfreado e as consequentes mudanças organizacionais e estruturais em nosso organismo urbano resultam constantemente em inúmeros problemas, a começar pelas nossas metrópoles, que têm um trânsito incontrolável, e pelos sistemas de transporte, educação, saúde e segurança, que não comportam as necessidades da cidade e de seus habitantes. Parte da sociedade que habita a metrópole migra para o interior na tentativa de fugir desses percalços, passando a morar em cidades que crescem e incham sem planejamento ou condições básicas de infraestrutura para receber a demanda.
A arquitetura consciente tenta identificar tais problemas, visando mapear o organismo vivo que habitamos, diagnosticando problemas e agindo de forma preventiva, estimando o crescimento da cidade para os anos seguintes; o urbanismo estabelece uma relação entre o ser humano e o espaço em que ele vive, não somente em termos de praças, parques e novas vias, mas ditando regras de expansão e crescimento, para que essa cidade não cresça de forma desordenada e doente.
A sociedade está inserida em um cenário que se transforma política e economicamente; parar a expansão da cidade, de novos empreendimentos e centros comerciais é também parar a expansão de uma sociedade, e nem sempre essa é a forma mais adequada de controlar a situação. Cabe aos arquitetos e urbanistas, juntamente com a população, o poder público e as organizações privadas, estabelecer formas eficientes de crescimento para a cidade, direcionando-o para regiões que comportem a expansão urbana, proporcionando às populações desses locais o transporte público de qualidade, segurança, educação e saúde, de forma que o indivíduo tenha boa qualidade de vida. O arquiteto consciente propõe desde a concepção de novos projetos, como loteamentos, condomínios, edifícios e residências, formas de morar e principalmente de vivenciar a cidade com qualidade. Um bom planejamento mapeia e propõe ações para os próximos 10 anos e é revisto sempre, de forma a adequar a cidade à população que a habita.

Quando nos perguntamos qual é a cidade do amanhã, o que queremos ou imaginamos, não deveríamos pensar em veículos que voam, sistemas totalmente automatizados e impessoais, com agilidade para nos atenderem no tempo que passa cada vez mais rápido, mas em um espaço formado por locais que as pessoas possam percorrer com qualidade, caminhar, passear, morar, enfim, uma cidade que possa ser vivenciada de forma durável e sustentável, que ofereça aos moradores o prazer de serem seus habitantes.

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