alunos-das-escolas-padre-anchieta-participam-do-13-desafio-bovespa

Alunos das Escolas Padre Anchieta participam do 13° Desafio Bovespa

A crise financeira já faz parte da nossa história.

O brasileiro tem trauma do passado mais ou menos recente, especialmente das décadas de 1980 e 1990, quando os preços aumentavam sistematicamente, em meio a uma inflação descontrolada, culminando no bloqueio dos saldos bancários de contas correntes e de cadernetas de poupança, deixando a população perplexa.
Este legado criou uma cultura de imediatismo no país. Pouca gente investe por aqui, temendo medidas econômicas drásticas, como o confisco de 1990.
O fantasma sempre volta. As gerações mais jovens não têm sido ensinadas a investir. Nesse contexto, a B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), responsável pelos maiores investimentos no país por meio da BM&FBovespa, organizou o 13° Desafio Bovespa, competição que ensina os estudantes do ensino médio do estado de São Paulo a investir.
As Escolas Padre Anchieta participaram dessa edição do Desafio. Os estudantes Abner Oliveira, Ana Paula Barbosa, Ana Caroline Oliveira, Gabriel Whitaker e João Morasco representaram a instituição. Na primeira etapa, os estudantes participaram de um curso de educação financeira, no qual aprenderam sobre Taxa Selic, Risco País, Inflação, Análise Gráfica, Mercado Secundário, entre outros temas.

A participante Ana Paula Barbosa relata: “Participar do Desafio foi uma experiência incrível, pois tivemos noção de como é o trabalho de um investidor. O que mais aprendi nestes dias foi analisar empresas para fazer um bom investimento.”

A primeira etapa foi concluída com sucesso pelos estudantes do Anchieta, que acertaram todas as perguntas. Das 35 escolas convidadas, 30 se classificaram para a etapa seguinte, realizada na sede da Bolsa. O clima era maravilhoso, e o evento foi impecavelmente preparado. Quem conhece um pouco da história sabe que naquele pregão havia muita gritaria todos os dias para negociar os mais diversos papéis. Hoje esse palco é silencioso, uma vez que tudo é feito por intermédio de sistemas. Estar naquele local, um verdadeiro patrimônio histórico do Brasil, é uma honra imensa. Nessa segunda etapa, os alunos precisariam definir em quais empresas investiriam. O apresentador Rodrigo Rodrigues (conhecido dos canais ESPN) mostrava um cenário com informações sobre o PIB, taxa de juros, nível de desemprego, dólar e outras variáveis. Em seguida, os participantes recebiam um envelope com diversas notícias sobre empresas e tinham 10 minutos para analisar todas essas informações. O grupo começou muito bem, ficando em segundo lugar. Quando os estudantes viram seus nomes lá no topo, ocorreu uma mistura de sensações. Ao mesmo tempo em que isso deu a eles mais confiança, também ficaram mais nervosos.

O estudante João Morasco comenta: “O simulador retratou como o mercado de ações pode variar rapidamente de acordo com a conjuntura econômica, a situação das empresas e as estratégias usadas por elas. A experiência de ter ido a uma competição como essa foi inesquecível”.

Foram cinco rodadas de simulação, e o ranking era atualizado a cada rodada. Quanto mais o desafio se aproximava do fim, mais tensos todos ficavam. Na última rodada, veio o resultado final. Depois de começar em segundo, oscilar entre os primeiros lugares, passando pelo quinto, quarto e oitavo lugar, o grupo terminou na sétima posição. Do capital inicial recebido, os investimentos renderam 56%. Para ir à final, era preciso atingir 60%. Foi por pouco.
O primeiro momento foi de frustração, porque o grupo merecia ir à final, mas depois, pensando em tudo o que aconteceu, ficou o saldo positivo. Afinal, competirera importante, mas a experiência era muito mais. Sobre isso, a participante Ana Caroline Oliveira comenta: “Mesmo não nos classificando para a final, ir à Bovespa me permitiu aprender muito. A preparação para o desafio ampliou meu vocabulário, me ajudou a entender coisas que eu não entendia sobre meu país”.
Esses estudantes adquiriram uma visão diferente, e agora que conhecem o mercado, entendem por que 72% dos americanos investem na bolsa de seu país, enquanto apenas 1% dos brasileiros fazem isso. Sem medo, investir para eles é questão de tempo. “Vou viver dos meus investimentos, como o Warren Buffet”, disse o jovem Abner Oliveira, durante a viagem de volta.
Mesmo não indo à final, eles alcançaram 56% de rendimento. Que investimento paga isso hoje? No ano que vem participaremos do desafio novamente. Se toda essa geração de jovens tivesse a mesma oportunidade, não somente eles teriam um futuro diferente, mas as pessoas ao seu redor também. Investir não é apenas ganhar dinheiro com seus rendimentos. Antes, é acreditar numa ideia, comprar um projeto. Todos ganham.

DEIXE UM COMENTÁRIO

*

*